Testemunho de Carla Ferreira

Testemunho de Carla Ferreira

08 março 2026

Desde 2024 exerce o cargo de Business Unit Manager na empresa Curtiss‑Wright, liderando operações e a gestão estratégica da unidade, destacando um percurso técnico e académico ligado à gestão e engenharia.

Como iniciou o seu percurso?

Começou simplesmente com a necessidade de trabalhar e com a vontade de aprender. Entrar na área industrial significou sair da minha zona de conforto. Foi enfrentar ambientes desconhecidos, assumir novas responsabilidades e dedicar‑me intensamente para demonstrar competência. Este percurso só foi possível graças ao trabalho em equipa: aprender com os outros, partilhar desafios e crescer em conjunto tornou‑se essencial para evoluir e saber que este era o caminho a seguir. Não foi e nem sempre é fácil. Mas é desafiante, gratificante, transformador e as oportunidades na indústria são infinitas desde que trabalhemos com honestidade, gosto e dedicação.

O que mudou nos últimos anos relativamente à presença das mulheres na indústria?

Nos últimos anos, a presença das mulheres na indústria deixou de ser exceção e tornou‑se uma realidade cada vez mais visível e valorizada. Ainda assim, talvez a maior barreira esteja na própria perceção das mulheres, que muitas vezes continuam a pensar a sua trajetória em função da distinção entre géneros Hoje, há cada vez mais mulheres em funções de liderança, técnicas e operacionais. Áreas que antes eram vistas como ‘exclusivas’ do género masculino estão agora abertas e cheias de mulheres a prosperar. Gestão, engenharia, manutenção, produção e tecnologia tornaram‑se espaços de grandes e infinitas oportunidades Às outras mulheres,  especialmente às que olham para a indústria com curiosidade (e talvez algum receio): O caminho nem sempre é óbvio. Pode parecer complexo ou pouco familiar, mas ainda assim pode ser exatamente aquilo que procuram, mas é algo que só descobrirão ao experimentar. Num contexto marcado por transformações tecnológicas, organizacionais e culturais, e por uma grande escassez de mão de obra, adaptar‑se a estas mudanças deixa de ser apenas um desafio e torna‑se uma oportunidade real tanto para profissionais como para empresas. O verdadeiro fator diferenciador das organizações são as pessoas. A indústria precisa de competência, visão, rigor, capacidade de adaptação e da nossa forma diferente de liderar e resolver problemas e as mulheres têm tudo isso. Não deixem que estereótipos ditem as vossas escolhas. Preparem-se, invistam em conhecimento, arrisquem e ‘mexam-se’. Não esperem validação nem que os outros vos digam para avançar. A indústria precisa de todos independentemente do género e esta é uma área com oportunidades infinitas.